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Você é a primeira jornalista da terceira fileira?

Quando planejei escrever o post ‘Nordeste a trabalho’, puxei uma conversa com a amiga Keila Guimarães via Skype. E qual seria a surpresa se ela contasse que foi uma das repórteres que acompanhou o lançamento da Iveco na Bahia! Da nossa conversa, já tirei algumas informações presentes no post. E da conversa, também surgiu o convite para que ela contasse as próprias impressões de participar deste evento de grande porte planejado para os jornalistas. Afinal, nada como saber o que o ‘lado de lá do balcão’ tem a dizer sobre as ações que as assessorias planejam, não é mesmo?

Depois da conversa, assisti ao vídeo novamente. E lá estava ela, no minuto 1:20, na primeira cadeira da terceira fileira à direita. Quase difícil reconhecer alguém que aparece em um momento tão rápido do vídeo, ao lado de várias outras pessoas. Mas quando é alguém que faz parte da sua história, fica fácil reconhecer!

 

Nordeste a trabalho, por Keila Guimarães – Repórter do jornal Propmark

Em abril, fui escalada em meu jornal para cobrir o lançamento da Iveco. Achei que seria mais uma coletiva de imprensa das tantas que acontecem em São Paulo. Surpreendeu-me o local escolhido: Hotel Transamérica, ilha de Comandatuba, Ilhéus, Bahia. Três dias num resort para acompanhar o lançamento de uma linha de extrapesados da montadora de caminhões pertencente ao grupo Fiat. Que performático, pensei.

A empresa escolheu o local para lançar o Stralis Eurotronic, linha de extrapesados com o qual quer dar seu grande salto em participação de mercado. Hoje, a Iveco ocupa a quinta posição em market share no País, atrás de Volvo, Mercedez-Bens, Volkswagen e Scania. É uma posição pouco confortável se lembrarmos que a empresa é a segunda maior produtora de caminhões no mundo e que está no Brasil há quase 15 anos.

Em 2007, com apenas 3,6% de participação de mercado no Brasil, a Iveco lançou um plano de desenvolvimento, e um novo presidente foi trazido para operar na unidade brasileira a estratégia para toda a região da America Latina.

A montadora atentou para a área de comunicação. Foi criada uma diretoria específica para o setor (pois é, eles não tinham uma) e o executivo Marco Piquini, com 20 anos de atuação no grupo Fiat, foi chamado para assumir o cargo de diretor de comunicação para a América Latina. Foi então que começaram os lançamentos performáticos da empresa. Num ano, colocaram os caminhões num cruzeiro marítimo.

O relacionamento com a imprensa foi fortalecido. A relação com clientes, também. Há dois anos, me contou Piquini em entrevista, havia pouco mais de 60 jornalistas no lançamento de um dos modelos da linha Stralis. Em 2011, estiveram presentes 130 profissionais.

Em Comandatuba, o evento transpirou organização. A Iveco gastou os tubos ali para impressionar a imprensa, é verdade. Mas pelo menos fez direito. Após o lançamento do produto, explicado minuciosamente por um time de executivos devidamente preparado, a sala de imprensa foi colocada à disposição dos jornalistas. Telefones foram utilizados para contatos com as redações, para brigas, discussões familiares. Mas pelo menos havia um telefone ali. Biblioteca e acesso à internet foram disponibilizados durante todo o período.

Após a apresentação do produto, os executivos foram levados para uma sala ao lado da de imprensa, de onde não saíram até atender o último repórter. Gravaram com todos os jornalistas de TV e de rádio que solicitaram entrevistas individuais. Depois atenderam às demandas dos repórteres de impresso. Minha pauta era sobre estratégias de marca da Iveco. A da jornalista ao meu lado, sobre o novo câmbio automatizado do Stralis. E todos fomos atendidos.

Alguém pode questionar: “Ah, mas a empresa estava lançando produtos, tinha interesse em disponibilizar informações!” É verdade. Mas nem o lógico é tão óbvio assim. Vide o caso de Eudora, nova unidade de negócios do grupo Boticário, lançada em fevereiro, e aprenda como uma empresa pode fazer do lançamento de 150 produtos um fiasco: colocar os 100 jornalistas numa sala tão escura que eles não consigam nem ao menos fazer suas anotações; não abrir para perguntas; não disponibilizar executivos para entrevistas; não atender solicitações das redações após o lançamento. Siga essa receita e você terá algumas dezenas de redações bem irritadas com sua coletiva.

Não rolou

Cronograma obedecido à risca, solicitações atendidas, informações úteis para o trabalho dos jornalistas – é disso que me lembro quando penso em Iveco. O profissionalismo de seus executivos e a equipe de comunicação altamente capacitada também me vêm à mente. Isso significa o seguinte: quando um release da empresa chegar na minha caixa de entrada, com certeza vou me dar, pelo menos, ao trabalho de ler.

Mas algumas coisas eu tiraria do cardápio: a chegada por balsa, demorada, só para criar um “clima”. Viria por terra numa boa. As baianas nos recepcionando com pulserinhas do Senhor do Bonfim e dançando ao som de Ivete Sangalo – desnecessário. Recepção com espumante também seria suprimida. Deixaria só as taças com água de coco. Recepção de trabalho com álcool não é de bom tom (e olha que eu adoro espumante!).

Fica a dica

A Letícia Maria indicou o vídeo abaixo como dica de o que não fazer em uma entrevista:

Para ser compartilhado com todos os assessorados e clientes, lembrando que os celulares devem permanecer desligados durante uma entrevista. Nem no vibracall é recomendado, o entrevistado pode expressar o incômodo com “alguma coisa” tremendo no bolso.

Mas se o celular do seu cliente tocar em uma entrevista, rezarei para que seja com um toque mais digno do que o do senhor Leonardo Barbalho.

Só para descontrair…

Todo assessor de imprensa tem que ler o post Angústias de um assessor de imprensa, no blog Desilusões perdidas (que a Keila Guimarães sempre me lembra de acessar). E se é para dar risada, também há graça em rir de como os colegas jornalistas se comportam nas coletivas que organizamos. Para isso, leia Manual de etiqueta para jornalistas em coletivas de imprensa.

E já que estamos falando de humor, também recomendo dois perfis engraçadinhos do Twitter, que fazem piada sobre o cotidiano do assessor de imprensa e dos profissionais de agência em menos de 140 caracteres: o @assessoranta (que também tem um tumblr) e o @atendilento.

Maioridade

O cliente chegou à agência pedindo a criação de anúncios para uma mídia já paga. Saiu de lá com um plano completo de comunicação integrada, que envolvia propaganda corporativa e relacionamento com a mídia. E foi assim que surgiu o case “Mutley: Assessoria de imprensa e propaganda”, apresentado pela agência Tríadaz durante a 31ª Semana da Comunicação (Secom) da Universidade de Taubaté.

As ações foram elaboradas para a comemoração dos 18 anos da casa noturna Mutley, a mais tradicional de Taubaté, em São Paulo. Para marcar a data, a programação de shows incluía a apresentação da banda Titãs na cidade.

Com o desafio de abordar a comemoração na imprensa, sem que a ação se tornasse um ‘jabá’, a Tríadaz Press (‘braço’ da agência em assessoria de imprensa) recorreu a abordagens diferenciadas e ações estratégicas com jornalistas.

A assessoria de imprensa encaminhou sugestões de pauta que destacavam a história do Mutley (até mesmo porque não é toda casa noturna que atinge essa longevidade na região), além do show dos Titãs.

A ação contemplava o envio de cinco releases, além de uma coletiva de imprensa com os músicos do Titãs, que atenderam os veículos da região no dia do show. No total, foram geradas mais de 50 inserções na imprensa e um retorno de mídia espontânea equivalente a R$ 45 mil.

Mais do que garantir que a imprensa divulgasse a programação de shows para a venda de ingressos, a assessoria de imprensa conseguiu promover a divulgação institucional da casa noturna, destacando os diferenciais da balada construídos ao longo de 18 anos. Além disso, teve o cuidado de garantir o alinhamento e a coerência das ações em relação ao plano de mídia comercial – como todo planejamento de comunicação integrada deveria zelar. Os detalhes da elaboração do planejamento de comunicação estão no vídeo no início deste post.

Em uma imprensa acostumada a divulgar algum evento se ‘recebe algo em troca’, a Tríadaz conseguiu, com profissionalismo, garantir um posicionamento de mídia para o cliente que poucas casas noturnas possuem. Enfim, trouxe um ‘ar de profissionalismo’ para a relação jornalista/assessor na mídia local. Digno de virar case.

Olhe bem, preste atenção

É domingo à noite, restam poucas horas para a segunda-feira. Você se prepara para assistir o Fantástico. Enfrenta até alguns instantes da estupidez do Faustão, porque nunca se sabe o instante exato que o Fantástico irá começar. E quando enfim o programa se inicia, o ‘abre’ é sobre a inauguração de uma montanha-russa na Flórida.

(Gente, eu fiquei off-line alguns dias na semana passada, mas o conceito de ‘abre’ mudou e eu não fiquei sabendo?).

No meu tempo, ‘abre’ era muito além daquele jargão jornalístico que significa a reportagem de abertura de um telejornal. Era uma reportagem sobre algum fato interessante e importante. E por mais que estes conceitos sejam subjetivos, inauguração de montanha-russa nos Estados Unidos é importante para quem?

(Ops… A ficha caiu…).

Matéria sobre inauguração de montanha-russa na Flórida é importante para o parque em que a atração está instalada, no caso o Busch Gardens. Eu posso ter ido dormir indignado neste domingo pela edição do Fantástico, mas os gerentes e relações-públicas do Busch Gardens devem ter ido dormir muito satisfeitos. Afinal, brasileiro nunca viajou tanto para o exterior como agora. Ter uma reportagem sobre a inauguração de uma nova atração de um parque de diversões exibida em um dos principais programas do país é uma grande oportunidade para atrair mais turistas tupiniquins.

Analisar assessoria de imprensa, e conhecer os fluxos de trabalho de assessores, é também compreender melhor como as reportagens que são exibidas na televisão ou publicadas em jornais e sites são produzidas. Ao assistir ou ler a matéria, fica perceptível o trabalho de assessoria nos bastidores da apuração. E nítido o interesse que há na divulgação de um fato. Ainda sobre a Cheeta Hunt, o nome da montanha-russa recém-inaugurada, divulgar a abertura de uma atração na Flórida em período próximo às férias de julho é mera coincidência?

No mesmo Fantástico, reportagem compara periferia de Brasília a uma das regiões mais violentas do planeta e o ex-presidente FHC defende a regulamentação da maconha em entrevista. Mas, mesmo assim, editores escolheram uma matéria que ‘exala assessoria de imprensa até não querer mais’ para ser o ‘abre’ do programa.

Assessores de imprensa vão dominar o mundo. Isso é bom para esse blog. Mas é bom para todo mundo?

Nordeste a trabalho

Se você tivesse que embarcar para uma ilha no Nordeste, levaria como companhia jornalistas de diferentes redações? Nas férias, absolutamente não – neste período, assessor quer distância de repórter (por mais que eles sempre nos achem pelos celulares…). Mas a trabalho, sua resposta certamente será sim, ainda mais depois de acompanhar este case da fabricante de caminhões Iveco. Reunir jornalistas em uma viagem que integra convenção, campanha publicitária e relacionamento com a mídia pode ser uma excelente estratégia.

Foi com esta expectativa que a Iveco (que pertence ao grupo Fiat) levou jornalistas à Ilha de Comandatuba, na Bahia, para acompanhar o lançamento do extrapesado Stralis NR Eurotronic.

A campanha de divulgação do novo caminhão pretende destacar os aspectos físicos do veículo, que pertence à linha de extrapesados da marca. Por isso, o universo da aviação foi escolhido para ambientar as peças publicitárias, comparando tecnologia, segurança, força e mobilidade de aviões aos caminhões da Iveco. A agência responsável pelo desenvolvimento da campanha foi a mineira Domínio Público.

O evento organizado para o lançamento do novo Stralis também embarcou neste tema de aviação. Para criar o clima de voo, o espaço da convenção foi transformado no interior de uma aeronave. No chão, luzes de emergência ao longo do piso indicavam o caminho para as saídas. Os jornalistas também eram tratados como tripulação, com direito a serviço de bordo e atenção de monitoras caracterizadas como comissárias, que distribuíam balas. A ambientação era tão grande que era capaz que em caso de despressurização, máscaras de oxigênio caíssem automaticamente sobre as cabeças dos repórteres e convidados.

Para comandar a operacionalização do evento, foi contratada a agência Guia MKT, também de Minas Gerais. Ao todo, 150 profissionais foram envolvidos na montagem e operação do evento, que teve como uma das principais dificuldades o transporte de caminhões para a ilha, via balsa.

Também foram em balsas que os jornalistas chegaram à Ilha de Comandatuba. E por lá, permaneceram por três dias, sendo o primeiro dedicado à apresentação do novo produto (a mestre de cerimônias foi a apresentadora Daniela Cicarelli). A programação ainda incluiu o Test Drive Solidário, em que os jornalistas foram incentivados a dirigir o caminhão e criar uma frase sobre a experiência, com a garantia de que a Iveco doaria uma cesta básica a famílias carentes.

Os jornalistas também foram convidados a postar sobre o evento e o caminhão nos blogs e redes sociais, utilizando uma hashtag (no caso, #IvecoStralisNREurotronic). As percepções dos jornalistas foram agrupadas em uma revista especial sobre o evento, que foi encaminhada aos jornalistas após o término da viagem.

Abaixo, o programa Avesso mostra os detalhes da organização deste evento.

O evento de lançamento, a campanha publicitária e a ação de relacionamento com jornalistas possuem um objetivo estratégico muito bem estabelecido: de maneira integrada, reforçar a imagem do Stralis NR Eurotronic como forma de garantir que a meta de vendas do caminhão atinja a marca de 3 mil unidades, ainda em 2011. No mesmo sentido, a Iveco pretende aumentar sua participação no mercado a 13,1%, ante os 9% que possui hoje. São por estas metas audaciosas que o plano de comunicação integrada pretende garantir o posicionamento da marca no mercado.

E as primeiras impressões são positivas. Ainda na Ilha de Comandatuba, Sarah Zampier, coordenadora de publicidade da Iveco, já comemorava. “Fiquei bem feliz porque ouvi um jornalista dizendo que esse caminhão é realmente um avião”.
Para mais detalhes sobre o plano de comunicação da Iveco, e as expectativas que a companhia tem sobre o posicionamento de mercado, vale ler a reportagem Iveco lança novo Stralis, de Keila Guimarães, publicada no jornal Propmark.

Crise, limonada e amamentação

O que era para ser o estopim de uma crise de reputação se tornou uma grande oportunidade de reforçar valores institucionais, e uma exemplo perfeito de como a gestão integrada de comunicação é capaz de reverter situações adversas em ganhos para a imagem das instituições.

A crise em questão começou assim: Em março, Marina Barão, mãe de um bebê então com dois meses, foi impedida de amamentar o filho na galeria do Itaú Cultural, na Avenida Paulista, região central de São Paulo. Orientada por uma monitora de que o ato era proibido, Marina foi convidada a ir até uma enfermaria. Caso negasse, os seguranças seriam chamados. A mãe então seguiu até o local recomendado – que estava trancado! Então, mãe e filho tiveram que esperar outro funcionário trazer a chave, para então amamentar a criança. Se até eu, que não tenho a mínima expectativa de amamentar um bebê, fiquei irritado, esperar qual reação de Marina?

É lógico que a mãe ficou indignada e demonstrou seu descontentamento no Facebook. Assim, ganhou o apoio de amigas e mais mães, também indignadas com o fato. Foi então que organizaram um “mamaço”, protesto em que amamentariam seus filhos nos espaços e galerias do Itaú Cultural. A organização definiu o dia 12 de maio para a realização da atividade.

Mas foi também pelas redes sociais que a diretoria do Itaú Cultural tomou conhecimento do fato e começou a tomar providências. Primeiro, veio um pedido de desculpas (ainda nas redes sociais) do diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron. “Não culpo a funcionária, mas acontece que tivemos um problema de orientação. Todos os nossos colaboradores sabem que alimentar-se em espaço de exposição é proibido. Porém, há uma exceção para a amamentação”. Até então, nenhuma novidade sobre gestão de crises: diretor oficializa pedido público de desculpas, e culpa funcionários ou processos. Mais um para um clube.

Só que, então, começou a grande ‘virada’ do Itaú Cultural, para não só reverter a imagem negativa, mas também demonstrar um apoio às mães e à amamentação. De inimigo, se transformou no maior aliado!

O Itaú Cultural não só apoiou a organização do “mamaço”, como também promoveu uma programação especial para acolher as mães em sua galeria durante a manifestação. Um ciclo de palestras ocorreu logo após o protesto, que inclui também uma apresentação teatral. O espaço cultural também organizará uma programação permanente para mães lactantes, que inclui detalhes como “deixar o ar-condicionado menos gelado” nestas datas, mostrando que se preocupa mesmo em acolher esse público. Assim, o protesto se transformou em uma promoção do aleitamento materno em espaços públicos, garantindo a atenção da mídia para discutir um assunto tão importante.

Para a visão das mães, o Itaú Cultural foi além do pedido de desculpas, mas virou um apoiador da causa. Até a Veja reconheceu isso. Note em como o tom do texto está favorável ao Itaú Cultural no primeiro parágrafo deste texto. A Record também produziu uma reportagem (que não cita o “Itaú Cultural”), mas mostra a iniciativa do ‘espaço cultural’ e expande para uma reportagem sobre comportamento de pessoas em relação à amamentação em espaços públicos.

A Folha Online também produziu um vídeo, com detalhes sobre reportagem.

Está aí um exemplo de quem soube aproveitar e fazer uma limonada bem saborosa dos limões que encontrou pelo caminho.

Relacionamento com blogueiros

Ele pode não ser jornalista, não tem deadline, não trabalha em uma redação, mas suas opiniões repercutem – e muito – entre aqueles que os seguem. Sim, eles têm até seguidores! Bastante fiéis, diga-se de passagem…

Os blogueiros tornaram-se referência para todas aquelas pessoas que acessam as mídias digitais. O que eles dizem sobre determinado produto, serviço ou programa de TV passa a valer como mandamento na blogosfera. E se têm tanta repercussão assim, também merecem atenção na gestão de imagem de uma organização.

A verdade é que a internet criou novos padrões para formadores de opinião, que não são necessariamente aqueles adotados pela imprensa tradicional. E a nós, assessores, cabe saber como se relacionar com eles.

E um assunto tão novo ao mundo das AIs merece uma abordagem especial. Afinal, novos blogs são criados a cada segundo, e a importância que os usuários dão às opiniões pessoais também cresce, por uma situação nem tão complexa, mas que deve ser avaliada nos projetos de comunicação.

As pessoas estão mudando o seu comportamento de consumo. Se alguém quer comprar um produto, pergunta virtualmente (geralmente, ao Google!) o que mais pessoas pensam sobre o assunto. Isso já acontecia na vida real, e passa a ter bastante impacto nas plataformas digitais também. Os consumidores acreditam mais nos seus pares do que nas mensagens institucionais disseminadas pelas empresas.

Assessorias de imprensa buscam o relacionamento com blogueiros como forma de ampliar a presença da marca, do produto ou da empresa nas mídias sociais. Assim, a repercussão poderá estimular o comportamento de consumo para além do ambiente virtual e levar à compra do produto ou adesão à marca. Porém, do mesmo jeito pode prejudicar a imagem de uma organização com muito mais rapidez. Por isso, algumas medidas devem ser tomadas para o relacionamento apropriado na blogosfera:

– Ficar atento aos blogueiros influentes nas mídias sociais que abordem assuntos pertinentes ao assessorado é o primeiro passo. Esta pessoa não será necessariamente um jornalista, portanto esqueça algumas das técnicas comuns de assessoria de imprensa. Busque a relevância que este blogueiro tem nas redes sociais, analisando a influência e audiência do blog, nível de engajamento, repercussões sobre o que ele publica, popularidade e teor das mensagens.

– Uma sugestão que o Rodrigo Padron, gerente de atendimento da LVBA Comunicação, disse para identificar perfis de blogueiros é o método criado por Malcolm Gladwell, que divide os usuários de blogs em três categorias: o comunicador, o especialista e o vendedor. O comunicador é aquele que tem facilidade em estabelecer vários níveis de relacionamento, influenciando todos eles. O especialista é um expert em um ou mais assuntos, sendo consultado para falar sobre alguns desses temas. Suas avaliações são aguardadas com ansiedade pelos outros internautas. Já o vendedor é aquele que consegue disseminar uma ideia com rapidez e facilidade, influenciando decisões e lançando tendências. Compreender como se comportam os blogueiros é importante para estabelecer relações confiáveis.

– O primeiro contato com o blogueiro deve obedecer aos padrões da rede social. Após solicitar a amizade dele, e ser aceito, pergunte se, em nome de determinada empresa, ele estaria disposto a receber informações, convites ou produtos para avaliação. Este é um momento importante para se pesquisar os hábitos do blogueiro, como rotinas de atualização, número de seguidores, influência sobre outros membros, tom das mensagens etc.

– Comece a gerenciar o relacionamento com este blogueiro observando o que ele publica sobre o assessorado e a concorrência. Os assuntos gerais abordados também indicam preferências e tendências deste blogueiro.

– Monitore o que é dito sobre o assessorado na blogosfera por meio de softwares e buscadores que procuram palavras-chave relacionadas à marca ou ao produto. Outra dica é criar grupos de amostras com líderes de opinião. Não interessa saber o que todo mundo está falando. Interessa saber o que um grupo estrategicamente definido pelo cliente fala a respeito. Esta amostra pode conter entre 30 e 40 blogs.

Direto ao ponto

O sonho de todo cliente: a marca na cabeça do consumidor

As atividades de relações públicas, que no passado dependiam da mídia para transmitir suas mensagens para a audiência de massa, são cada vez mais confiantes em contornar a estrutura tradicional para atingir, sem intermediação, o público.

As agências de comunicação já começam a se configurar para essa nova era. Uma reportagem do The Independent destaca a experiência da Edelman, que ao contratar o ex-chefe da BBC News, Richard Sambrook.

Na agência, Sambrook assumiu o cargo de CCO – Chief Content Officer, uma espécie de diretor de conteúdo. Sua principal função é levar os clientes da Edelman a assumirem uma comunicação direta com seu público-alvo, dispensando as campanhas de publicidade e o conteúdo editorial como intermediadores. “As grandes empresas estão indo direto ao consumidor, buscando envolvê-los”, enfatiza Sambrook. “Você não pode apenas estar lá fora, gritando com as pessoas sobre a sua marca, sem engajá-los”.

A Edelman continuou a se estruturar internamente para este novo perfil. Além de Sambrook, outra contratação que movimentou o setor foi a jornalista Stefan Stern, ex-Financial Times. Stern, além de suas habilidades na redação de conteúdo editorial, terá como responsabilidade fazer a Edelman crescer na área de consultoria corporativa.

O mercado avalia que a Edelman busca se estabelecer em um momento em que as linhas que dividem relações públicas, propaganda e conteúdo editorial estão cada vez mais finas. Para Richard Gillis, editor da revista Plataform, que cobre o setor de patrocínio, a fraqueza da publicidade tradicional está incentivando as empresas a uma maior identificação com conteúdo editorial. “Esta é apenas uma parte de uma tendência maior que é o movimento da marca para o centro do conteúdo, porque ninguém mais está vendo os anúncios”.

Contudo, não há unanimidade, ou ao menos consenso, sobre esta nova postura da Edelman. Mike Morgan, CEO da consultoria Red, acredita que existem espaços para desenvolvimento de novas atividades de comunicação, mas que não devem ser preenchidos, necessariamente, pelos RPs. “Nós não somos os melhores em preencher esta lacuna e acho que isso pode levar a alguns problemas de confiança com os consumidores”, diz. “Os clientes ainda precisam do aval de uma terceira-parte, no caso, a mídia tradicional”.

Segundo o The Independent, a Edelman não discorda desta hipótese, mas já prepara seus colaboradores para novos cenários de comunicação. Na agência, habitou-se a dizer que a comunicação corporativa está vendo nascer um novo profissional hibrido, que combina conteúdo editorial a habilidades de relações públicas para contar histórias “creditáveis” em projetos de divulgação da marca.

Ok. A Edelman mudou porque o mercado editorial e de anúncios mudou. Mas o que representa tudo isso? A avaliação de especialistas consultados pelo The Independent é que a Edelman buscou se estruturar dentro da crescente popularidade das plataformas de mídias sociais – e a interatividade que elas oferecem ao consumidor. Este cenário ofereceu uma oportunidade única para as marcas, que, pela primeira vez, tiveram a possibilidade de discutir, “vender o seu peixe”, diretamente com o público. Esta é uma vantagem sobre as empresas de publicidade, que especializaram, segundo Sambrook, em um mónologo de push messaging, algo como “empurram mensagem garganta abaixo” do cliente.

PS: Como viram, nem entrei no mérito daquela discussão famosa das universidades sobre o que é jornalismo, o que é relações públicas. Acho que as novidades deste nosso tempo propõem discussões mais válidas…

For the children

Como representante da comunicação do Senac Taubaté, sou normalmente convidado para participar de fóruns com alunos dos programas para jovens. A missão: contar aos adolescentes, nesta fase em que decidem seu futuro profissional, o que é, afinal, ser jornalista.

Daí, quando conto que sou jornalista, mas que trabalho com comunicação empresarial, e não em um jornal ou uma emissora de televisão, vejo a carinha de decepção em todos eles. Como nossos pais, os jovens esperam que contemos os bastidores de grandes reportagens investigativas, de perigos que enfrentamos na apuração ao lidar com os chefões do crime, da pressão para fecharmos nossa matéria e ainda termos tempo de salvar a mocinha, até então amarrada nos trilhos do trem. Como se fossemos Clark Kent. Super-Homem não poderia ter escolhido outra profissão?

Sim, o jornalismo é um ofício digno, com um passado louvável e profissionais que devem ser reverenciados toda vez que adentrarem ao recinto. É por isso que fascina tanta gente! Mas sustentar esse endeusamento da profissão é coisa que eu não consigo. Por isso, hoje fui participar de mais um fórum com a esperança de conseguir expor este outro lado do balcão.

Contei minhas mais marcantes experiências em assessoria de imprensa, toda a pressão de participar de eventos de grande porte, da riqueza de cultura necessária para criar planos de relacionamento e comunicação com públicos distintos, de que conhecemos muita gente legal (Ok. Conhecemos muita gente nem tão legal assim!), das especificidades incríveis desta ocupação em que qualquer detalhe pode representar o sucesso ou o fracasso, e de como o jornalismo se incorpora na comunicação empresarial não pelos resultados, mas sim pelo modo de se fazer.

Falei também que as assessorias de imprensa correspondem ao maior campo de trabalho para jornalistas. Que nos escritórios de AI também há muita pressão por apuração e divulgação de fatos. Que este lado do balcão também é emocionante.

Mas a impressão era de que eles ainda queriam conhecer aquele jornalistão Clark Kent. Ou seu representante tupiniquim, Zé Bob. Afinal, o fascínio que estes causam no público é muito maior do que alguém que “tem cliente”. Ninguém se encanta por alguém que “tem cliente”.

Lógico que não falei de Jorge Duarte para os adolescentes. Seria teoria demais para um público que queria ouvir menos sobre assessorias e mais de jornalismo – como se ambos fossem coisas completamente distintas. Mas só Jorge Duarte para me animar depois de uma segunda-feira tão apurrinhada como esta!

“Uma redação jornalística não tem monopólio da ética ou da competência. E a assessoria de imprensa pode, em muitos casos, ter uma vantagem, afinal produz informação com determinado enquadramento, assumidamente posicionada, mas, necessariamente, verdadeira, e que será submetida aos filtros jornalísticos, até mesmo de questionamento e confrontação com outras fontes”

Assessor de imprensa e relacionamento com a mídia – Editora Atlas, 2003

O recado está dado. Agora, é só esperar o próximo fórum, e o próximo confronto entre minha vontade de dizer o quanto assessoria é empolgante e as expectativas dos adolescentes. Será que isso, algum dia, mudará?